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Encontros Anuais 2022: África precisa de transformar os desafios das alterações climáticas em oportunidades de emprego verde para os jovens

30/05/2022
Da esquerda para a direita: Kenneth Ofori-Atta, Ministro das Finanças do Gana e Presidente do Conselho de Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento, Dr. Uzziel Ndagijimana, Ministro das Finanças e Planeamento Económico, Eric Meyer, Secretário Assistente Adjunto dos EUA para África e Médio Oriente, e a moderadora do painel, Zanele Morrison, Diretora de Transformação e Mudança no Departamento de Governação Cooperativa da África do Sul. Acra, 27 de maio de 2022.

África, a principal vítima das alterações climáticas apesar de emitir apenas 3% dos gases com efeito de estufa, deverá transformar os seus desafios climáticos em oportunidades de criação de empregos verdes para jovens e mulheres.

O terceiro evento de partilha de conhecimentos, realizado no último dia dos Encontros Anuais do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (23 a 27 de maio), reuniu participantes em torno do tema ‘Empregos verdes para jovens e mulheres em África depois da Covid-19’. Partilharam as suas experiências sobre soluções de adaptação às alterações climáticas desenvolvidas em África e nos Estados Unidos pelo setor privado.

O Ministro das Finanças do Gana, Kenneth Ofori-Atta, Presidente do Conselho de Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento, elaborou sobre a estratégia do Gana para a criação de empregos verdes para jovens e mulheres.

"Pusemos em prática o programa Youth Start, de um milhão de dólares, que nos permitirá criar um milhão de empregos para jovens e mulheres", explicou. Os setores em questão são: agricultura, energia solar, reflorestação e processamento agrícola. Segundo ele, os jovens representam mais de 70% da população e deveriam ter uma oportunidade se os governos africanos explorassem o seu potencial, oferecendo-lhes melhor educação, formação e cuidados.

O seu homólogo do Ruanda, Dr. Uzziel Ndagijimana, Ministro das Finanças e Planeamento Económico, salientou que o seu país está empenhado na adaptação às alterações climáticas e proibiu a utilização de sacos de plástico e materiais de embalagem não biodegradáveis em 2008, tendo criado o seu próprio Fundo Verde, um fundo de investimento inovador e o maior do seu género em África. "Há necessidade de desenvolver o capital humano - formação técnica e profissional, formação científica e tecnológica, engenharia - e de criar fundos de garantia para PME e empresas detidas por jovens e mulheres", defendeu. Salientou que 70% das PME beneficiam de garantias públicas para as ajudar a prosperar. “Mais emprego para os jovens significa mais dinheiro para o erário público", sublinhou.

Recordando que a economia verde gera 13 mil milhões de dólares em receitas para os Estados Unidos e cria 9,5 milhões de empregos a tempo inteiro, o Secretário Assistente Adjunto do Tesouro dos EUA para África e Médio Oriente, Eric Meyer, afirmou que os Estados Unidos têm sido incrivelmente bem-sucedidos na criação de empregos verdes, pelo que é possível partilhar esta experiência com os países africanos para apoiar os investimentos na criação de empregos verdes para jovens mulheres e homens em África. "Os empregos verdes pagam 70% mais do que os empregos sujos", disse Meyer, acrescentando que o governo dos EUA está a encorajar o setor privado a investir fortemente na economia verde. "O governo está a dar os sinais certos através de regulamentos que favorecem os investimentos verdes. O Presidente Biden colocou os EUA no caminho para uma economia verde, incluindo veículos elétricos, energia verde, etc.”.

Anteriormente, o setor privado expressou o seu empenho na adaptação ao clima.

Yewande Adebowale, fundadora da Salubata Technological Innovations Limited, uma empresa que produz sapatos personalizáveis a partir de resíduos de plástico sob a marca 'Salubata', (sapatos que nunca se gastam, em língua Yoruba), reiterou a “necessidade de investir mais no setor privado para enfrentar o desafio das alterações climáticas; cada sapato 'Salubata' adquirido contribui para a remoção de mais de 12,66 quilos de CO2 do ambiente”, disse. Contudo, lamentou os obstáculos ao acesso dos jovens empresários ao financiamento: burocracia, regulamentação, e outras dificuldades. "Os jovens têm talento; precisamos de abrir o financiamento às PME e desenvolver parcerias estratégicas, desenvolver a capacidade dos jovens empresários, apoiar as marcas africanas”, defendeu.

O Diretor Executivo do Ecobank Ghana, Daniel Nii Kwei-Kumah Sackey, disse que o setor privado está empenhado na adaptação às alterações climáticas e está a financiar projetos de adaptação. O Ecobank Ghana é a única instituição financeira acreditada pelo Green Climate Fund no Gana. Recebeu 20 milhões de dólares para financiar projetos verdes e apoio do Banco Africano de Desenvolvimento ao abrigo da sua Iniciativa Africana de Acesso das Mulheres ao Financiamento (AFAWA), através da qual o Banco disponibilizou 420 milhões de dólares em 2021 e tenciona disponibilizar 500 milhões de dólares em 2022 para apoiar empresas detidas por mulheres em África.

Patrick Verkooijen, Presidente e CEO do Centro Global sobre Adaptação, fez a ligação entre o crescimento verde e os empregos verdes. Referiu que 15 mil milhões de dólares de investimento em adaptação em África renderão 200 mil milhões de dólares por ano. Apelando à mobilização de fundos para a adaptação em grande escala, afirmou que o Banco e o Centro mobilizaram três mil milhões de dólares para o Programa de Aceleração da Adaptação de África desde a COP 26, em Glasgow.

Dra. Beth Dunford, Vice-Presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento para a Agricultura, Desenvolvimento Humano e Social durante os seus comentários finais no evento. Acra, 27 de maio de 2022.

 

Fazendo eco desta declaração, a Dra. Beth Dunford, Vice-Presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento para a Agricultura e Desenvolvimento Humano e Social, nas suas observações finais no evento, recordou que um dólar investido na adaptação poderia poupar 30-40% dos custos de adaptação mais tarde. É preciso, concluiu, criar uma estrutura sustentável que comece na incubação e vá até à criação de empresas reais para jovens e mulheres.

 

Annual Meetings : Thematic Knowledge Event 3 - Green Jobs for Youth and Women in post-Covid-19 Africa