Home > Sobre os Encontros Anuais 2022

Sobre os Encontros Anuais 2022

03/04/2022

Introdução

África está a aquecer mais depressa do que o mundo. A temperatura da superfície do continente já aumentou mais rapidamente do que a média global, e no futuro, as temperaturas médias nas regiões norte e sul do continente poderão aumentar 3,6 graus Celsius se a temperatura média global aumentar 2 graus. Além disso, o nível do mar subiu mais em todo o continente do que a média global das últimas três décadas. De acordo com o Sexto Relatório de Avaliação do IPCC, é quase certo que o nível do mar em África continuará a subir, aumentando o risco de inundações costeiras. Além disso, o Saara, o Corno de África e a África Central deverão ter precipitações mais fortes e consequentemente, aumentos nas inundações pluviais, enquanto a África Austral e Oriental deverão registar velocidades de vento tropicais mais elevadas e mais ciclones de Categoria 4 e 5.

Atualmente, cerca de 600 milhões de pessoas em África não têm acesso a eletricidade e 900 milhões não têm acesso a instalações de cozinha limpa, a maioria delas em zonas rurais. Quatro em cada cinco africanos dependem de biomassa sólida para cozinhar, o que causa cerca de 600.000 mortes por ano devido à poluição do ar doméstico, para além do desafio da desflorestação. Para crescer e prosperar, África precisa de sistemas energéticos modernos que respondam a múltiplos desafios que abrangem a acessibilidade de preços, a segurança do abastecimento e a sustentabilidade. Os estrangulamentos no setor energético e os cortes recorrentes de energia estão a custar anualmente o equivalente a 2 a 4% do PIB de África, e a impedir a criação de emprego, a industrialização e o investimento. A necessidade de enfrentar este enorme duplo desafio das alterações climáticas e dos défices de eletricidade, bem como os desafios que lhes estão associados, motivou a importância do tema proposto para Encontros Anuais de 2022. O enfoque permitirá ao Banco servir como voz e líder de pensamento sobre as questões gémeas da resiliência climática e da transição energética em África. As discussões entre a recém-concluída COP26 e a COP27, a ser organizada por África, permitirão uma avaliação e discussões oportunas e francas, bem como recomendações sobre como África pode mobilizar recursos à escala para alcançar a resiliência climática e os objetivos de transição para o baixo carbono. Também permitirá ao Banco responder a um dos seus compromissos de aumentar o alinhamento estratégico e a concentração operacional através do apoio a uma transição para um desenvolvimento com baixo teor de carbono e resistente às alterações climáticas.

Antecedentes e explicação

Há cinco anos, o El Niño devastou a África Oriental e Austral, com graves secas. Em 2019, os ciclones tropicais Idai e Kenneth tiveram impacto nas economias de Moçambique, Maláui e Zimbabué. Oitocentas pessoas morreram, com prejuízos de 2 mil milhões de dólares. Este ciclo vicioso repetiu-se em 2021, com o ciclone Eloise a causar estragos na mesma região, em janeiro. Estima-se que, a partir de 2020, as necessidades de adaptação de África para enfrentar as alterações climáticas ascenderão a 331 mil milhões de dólares até 2030. Isto está certamente muito abaixo das necessidades reais, dada a rápida trajetória de aquecimento do planeta.

Espera-se que, na sequência do 6º relatório do IPCC e do recente relatório da AIE sobre o ‘Net-Zero’ até 2050, o mundo acelere a transição para sistemas de energia com zero emissões de carbono (Net-zero). O roteiro da AIE para as transições ‘Net-zero’ no setor global da energia terá implicações no acesso à energia com contrapartidas e benefícios significativos para o desenvolvimento inclusivo e sustentável em África. Existe uma preocupação crescente de que as transições de energia renovável possam aprofundar a pobreza energética no mundo em desenvolvimento e conduzir a outros desafios de degradação ambiental devido à procura por minerais de energia limpa.

O desafio das alterações climáticas para África prende-se principalmente com a adaptação e a necessidade de tornar o desenvolvimento resiliente às alterações climáticas. O aumento dos fluxos de financiamento climático para a adaptação é fundamental para enfrentar os impactos irreversíveis das alterações climáticas. Atualmente, o financiamento da adaptação representa apenas 10% do financiamento global do clima. Globalmente, apenas cerca de 19% do financiamento internacional total para adaptação é destinada a África, com o continente a receber apenas 3% do total dos fluxos globais de financiamento climático. As ações de adaptação em escala e o financiamento necessário em África são imperativos.

Na sequência da COP26 e da OEA 2022 intitulada ‘Apoiando a Resiliência Climática e uma Transição Energética Justa para África’, e servindo de prelúdio à COP27, são precisas discussões francas sobre as estratégias, políticas e ações necessárias para alcançar a resiliência climática e a transição energética justa em África. A discussão proporcionaria aos decisores políticos o diagnóstico e as ferramentas políticas necessárias para identificar estratégias de ganho rápido para implementar a transformação energética que ajudaria a alcançar um desenvolvimento verde e inclusivo nas suas economias. Tal discussão permitirá a articulação de políticas acionáveis a nível global, continental, regional e nacional para alcançar a resiliência climática e uma transição energética justa.

O Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) e o Centro Global de Adaptação (GCA) desenvolveram um programa emblemático conjunto, o Programa de Aceleração da Adaptação em África (AAAP), para encontrar soluções para acelerar, inovar e dar escala às ações de adaptação em África. O AAAP foi lançado durante a Cimeira de Adaptação ao Clima em 2021 (CAS 2021) para mobilizar 25 mil milhões de dólares para aumentar as ações transformadoras e de adaptação às alterações climáticas em toda a África. A ambição é galvanizar ações de resiliência climática, apoiar os países a acelerar e aumentar a escala da adaptação e resiliência climática e mobilizar financiamento à escala para a adaptação climática em África. Um dos programas emblemáticos é o Envolver a Juventude para o Empreendedorismo e a Criação de Empregos na Resiliência e Adaptação ao Clima (YOUTH ADAPT - Empowering Youth for Entrepreneurship and Job Creation in Climate Adaptation and Resilience).

Tema proposto

O tema proposto para os Eventos de Conhecimento dos Encontros Anuais de 2022 é "Alcançar a Resiliência Climática e uma Transição Energética Justa para África". Este tema é escolhido para fornecer um quadro para os Governadores do Banco partilharem as suas experiências na abordagem dos desafios das alterações climáticas e da transição energética que enfrentam, bem como as respostas e medidas políticas que estão a usar. Os países membros regionais terão a oportunidade de discutir a natureza do apoio que necessitam dos parceiros de desenvolvimento globais, bem como o custo estimado da construção de resiliência e transição energética justa para as suas economias. A discussão sobre a construção da resiliência irá para além das alterações climáticas, para incluir choques sanitários, financeiros, socioeconómicos e ambientais, conforme o atual contexto global. Os eventos de conhecimento organizados em torno do tema proporcionarão fóruns de troca de opiniões sobre estratégias, políticas e intervenções, bem como a promoção da aprendizagem entre pares e o diálogo político orientado para soluções para a construção da África dos nossos sonhos.

ENCONTROS ANUAIS ANTERIORES